Hoje seria um dia de festa, mas infelizmente não é. Ele estaria fazendo 61 anos e seus cabelos brancos teriam aumentado. Ganhou mais dois netos e uma nora depois que partiu. Seu amigão de quatro patas resolveu ficar junto dele também.
Acho que herdei dele o gosto por supermercado (que ele adorava ir), feira, cozinhar e por coisas simples da vida. Ele sempre fazia apostas com minha mãe, certa vez ele havia fritado um bife grande e outro com o mesmo tamanho porém cortado em dois. Apostou com ela que eu escolheria o maior. Acertou em cheio.
Vi ele chorando quatro vezes em toda vida … quando o Brasil foi campeão em 1994, quando perdemos a Bunny, falando ao telefone com minha irmã dizendo que não tinha câncer e contando de um episódio, ja no hospital, de um sonho que teve onde lhe foi revelado que “não era a hora dele embarcar no trem” …
Era um empreendedor nato mas dependia sempre de uma pessoa para apoiá-lo em assuntos burocráticos. Seu negócio era vender e ponto. Teve diversos carros, mas o que me recordo mais é de um Passat verde e de uma Caravam branca com escapamento Kadron. Tinha uma barriga enorme mas as pernas eram finas … hehehe. Jogou basquete quando era jovem e ganhou uma medalha num torneio colegial. No futebol era Corinthiano e inclusive a única camisa que teve foi uma que dei de presente, tenho quardada até hoje e espero um dia colocá-la num quadro.
Contava muitas histórias, algumas nunca acreditei mas ele contava mesmo assim. Era brincalhão e sempre estava de bom humor.
Em seus últimos momentos fui egoísta, não quis visitá-lo no hospital … tentei iludir minha razão que não queria vê-lo naquela situação mas deveria ter propiciado a ele o direito de poder me ver … lembro da última vez quando falei com ele, do último abraço, de seu jeito de dormir… podia ter muitos defeitos, mas tinha muitas qualidades.
As lembranças estão frescas e a saudade também. Se pudesse dizer algo a ele neste momento diria …
Um beijo do seu filho,
Fael




